Viver em Rio Branco, no extremo ocidental da Amazônia brasileira, há mais de trinta anos foi um privilégio. Sempre me encantei com a beleza da natureza e a alegria e hospitalidade do povo acreano.
O que mais surpreende, aos que vem de fora, são as distâncias. Tudo é muito longe! De avião a jato qualquer cidade do litoral brasileiro está a mais de oito horas, um dia viajando, de carro não menos de 4.000 km e mais de três dias.
Para o nordeste, destino preferido pela maioria, são quase 7.000 quilômetros. E nossas rodovias quase sempre não são boas. Muitos buracos e pouca sinalização.
Junto ao Acre está o Peru. Com suas cordilheiras, com seus desertos, o Lago Titicaca, o mar, a neve, povo cordial e acima de tudo com sua história, com Cusco e Machu Picchu.
Uma boa rodovia, a Estrada do Pacífico, nos une ao complexo rodoviário peruano e possibilita viagens interessantes inclusive ao Chile, Bolívia e Argentina.
Há vários anos que faço esta rota, algumas vezes indo até o extremo sul do continente. Esquiar em Santiago do Chile e dançar tango em Buenos Aires é mais perto que se imagina.
E viajando sempre de carro.
Ao longo do tempo fiz algumas anotações junto com amigos e companheiros de viagem, em especial com o Roraima, e transformamos estas anotações neste guia.
Espero que ajudem e encorajem muitos a irem por estas estradas dos Andes e assim descubram novas emoções e conhecimentos.

Rio Branco-Acre, fevereiro de 2011.

Maurício Lisboa
mauriciovvlisboa@hotmail.com